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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ - 08/02/2006

No Balanço do Cérebro

 

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Aos 11 anos de idade, o estudante Pedro Campos foi atropelado quando saía da escola em que estudava. Chegou a ficar em coma durante 40 dias e foi desenganado pelos médicos. Hoje, aos 22 anos, caminha com entusiasmo para uma recuperação plena. Faz capoeira, natação, joga sinuca e escreve. “Claro que restaram seqüelas, mas meu filho, que não ia viver, viveu; que não ia falar, falou”, argumenta seu pai, o publicitário mineiro Toni Campos.

Atento a todas as opções de tratamento que existem no meio médico, o publicitário não hesitou em encaminhar o seu filho para uma técnica inovadora: o balanceamento cerebral – um programa de estimulação sensorial controlada, capaz de melhorar as condições de funcionamento do cérebro. Segundo o neurocientista Paulo Faria, a técnica se aplica tanto para pacientes que sofreram um acidente vascular cerebral (AVC) quanto para quem não apresenta comprometimentos aparentes, mas sofre de síndrome do pânico ou dislexia, por exemplo.

O programa foi desenvolvido pelo próprio especialista a partir de estudos desenvolvidos na área de condicionamento cerebral e eletroencefalografia. “Trata-se de um método não invasivo, sem utilização de medicamentos e que pode trazer resultados significativos”, comenta. Há pelo menos seis meses, Pedro Campos começou a fazer o balanceamento cerebral e seu pai exalta algumas mudanças percebidas: no caminhar, na dicção e no humor do seu filho.

O neurocientista explica que no programa o paciente é avaliado enquanto desempenha atividades que o obrigam a utilizar muitas áreas e funções do cérebro, como leitura, cálculos matemáticos, relaxamento e raciocínio lógico. “Nos casos de pacientes com prejuízos cognitivos, da avaliação constam testes dos reflexos corporais”, acrescenta, explicando que a técnica tem como ponto de partida o equilíbrio entre o uso e o funcionamento entre os dois hemisférios do cérebro.

Mais autonomia

A intenção é fazer com que os neurônios que não estão em atividade comecem a trabalhar, assim o paciente passa por estímulos visuais e auditivos, buscando um funcionamento harmônico entre os dois hemisférios do cérebro. De acordo com Faria, essas intervenções possibilitam saber quais as funções e áreas do cérebro precisam ser estimuladas. Com efeito, a estimulação sensorial adequada possibilita, na maioria dos casos, despertar e recuperar as funções comprometidas.

Conforme o neurocientista, o programa é aplicável em pessoas de qualquer idade, até mesmo bebês, pois não há contra-indicações ou desconforto. A duração do tratamento varia de pessoa para pessoa, mas, em alguns casos, é possível verificar alterações positivas em menos de uma semana. Paulo Faria faz questão de deixar claro que não trata as doenças, mas as alterações funcionais que elas causam no cérebro e no sistema nervoso. “Se é possível melhorar a qualidade de vida do paciente, para que ele tenha uma vida mais independente, mais próxima de sua autonomia, por que não fazê-lo?”, questiona.

Toni Campos, o pai de Pedro, se tornou um dos maiores entusiastas do programa e afirma que há ainda um longo caminho a percorrer, mas que a ciência e a tecnologia têm se mostrado grandes aliadas em casos como o do seu filho. “Pesquisar novos caminhos para melhorar a qualidade de vida de quem precisa pode trazer resultados compensadores”, enfatiza.

A ajuda terapêutica do balanceamento cerebral é indicada para:

* Todas as situações onde haja déficit ou perda de alguma função cerebral, devido às seqüelas de derrame e isquemia cerebral.
* Nos atrasos de desenvolvimento infantil causados por dificuldades na gravidez ou parto.
* Seqüelas neurológicas causadas por acidentes (quedas, concussão, acidentes de trânsito, afogamento, anóxia ou hipóxia).
* Déficits de aprendizagem, como dislexia, hiperatividade, baixa concentração, entre outros.
* Síndrome do pânico e “tiques” nervosos.

* Publicado no Jornal O Estado do Paraná, em 08/02/2006 

 





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