Rosane Rodrigues Neves - Vila Velha - ES
MEU FILHO WELLINGTON VIEIRA JÚNIOR E A SÍNDROME DE ASPERGER
Wellington nasceu em 29/07/1986, foi sempre um bebê muito calmo, calmo até demais, só dormia, não mamou no peito e quase nada na mamadeira. Foi crescendo e fomos percebendo que ele era diferente. Não olhava nos olhos, não apontava e parecia surdo. Fizemos várias audiometrias nele, mas, nunca deu nada de errado.
Com um ano de idade caiu da minha cama e fraturou a clavícula, só fui saber no dia seguinte quando o peguei no colo, ele também não se manifestava à dor. Aos dois anos de idade era perceptível a diferença dele em relação às outras crianças, pouco falava, e sempre palavras soltas, nunca uma frase completa, sempre ausente do mundo ao seu redor.
Começamos então a procurar uma resposta. Então a peregrinação médica começa, muitos tratamentos psicológicos, neurológicos e psiquiátricos sem diagnóstico. O tempo foi passando e ele foi conseguindo, com muito sacrifício, estudar em escolas regulares.
Para ajudá-lo a se socializar, colocamos ele em vários cursos, aulas de canto para melhorar a fala, esportes, um curso maravilhoso que recomendo, o KUMON, tudo por intuição materna, nada recomendado por médicos ou profissionais de saúde, assim ele conseguiu terminar o Ensino Médio.
A fase pior foi a adolescência, quando a alteração hormonal se juntou com o que ele já sofria, ele entrou em depressão, ficou meses sem dormir, não andava sozinho na rua. Foi aí que retomamos a peregrinação médica, tínhamos dado um tempo por não achar nenhum diagnóstico concreto.
Então, após vários exames e testes, alguns que ele nunca tinha feito, resolvemos aprofundar a pesquisa para ver se descobríamos algum diagnóstico.O psicólogo que o acompanhava, diagnosticou que ele tinha Síndrome de Asperger, ou seja, Autismo em um certo grau.
Bem! Agora tínhamos um diagnóstico, uma direção, assim procuramos de tudo sobre o assunto e sempre buscando profissionais que pudessem ajudar, tudo que fosse bom para que ele pudesse interagir com o mundo externo, pois sua característica principal é o isolamento.
Foi então que em Dezembro de 2005 Drª. Adélia, médica e sua atual terapeuta, descobriu um tratamento chamado Balanceamento Cerebral. Drª Adélia reuniu um grupo de seus pacientes e fomos conhecer o tratamento.
A consulta foi fantástica, e o que mais me impressionou, logo de início, foi quando Dr. Paulo, neurocientista que aplica o tratamento, verificou o Eletroencefalograma de Wellington e me explicou tudo que nenhum neurologista, psiquiatra ou psicólogos tinha explicado, as disfunções cerebrais presentes em seu traçado.
Então ficamos mais confiantes em relação ao tratamento, mas, ainda tínhamos muitas incertezas por ser um tratamento novo e desconhecido por todos, ou quase todos na área médica. Mesmo com todas as explicações detalhadas sobre o tratamento, perguntas ficaram, como:
- Será que vai dar certo?
- Será que o tratamento é definitivo ou temporário?
- Será que não vai afetar outras áreas do cérebro?
Voltamos para casa, resolvi procurar um neurologista e mostrar a ele o tratamento e tentar obter uma certeza, saí da consulta decepcionada e com mais dúvida ainda, o médico simplesmente me disse que eu iria perder meu dinheiro, que não era possível reverter o quadro do meu filho e que o tratamento não passava de charlatanismo.
Chorei...chorei muito! Será que deveríamos tentar mesmo com todas as dúvidas? Não seria justo, depois de termos descoberto um tratamento que poderia trazer uma qualidade de vida melhor para nosso filho, deixar passar sem tentar, Dr. Paulo tinha dado todas as explicações, Drª Adélia tinha estudado tudo e estava confiante que daria certo.
Resolvemos então por fazer o Balanceamento Cerebral, mesmo que perdêssemos dinheiro ou que fosse charlatanismo. Entreguei nas mãos de Deus e marquei o tratamento para 03/04/2006. No primeiro dia foi feita uma avaliação e assim começaram os ajustes.
Seguem trechos de algumas anotações que fiz após as dez primeiras aplicações do tratamento:
-Wellington falava sozinho o tempo todo, sussurrando, isso acabou de imediato e nunca mais voltou, foi uma surpresa, como se tivesse desligado um defeito de anos de vida;
- No meio do tratamento o próprio Wellington já percebia nele mesmo as diferenças, ficou mais atento e já estava prestando atenção ao seu redor;
- Seus “tiques” acabaram, é, ele também tinha “tiques nervosos" que eram um incômodo; sem se preocupar onde estava, a todo o momento, pulava e olhava para os dedos das mãos e chegava a ficar vesgo, já se imaginou viver assim? Acabar com isso foi maravilhoso!!
No final da semana que passamos lá, com Dr. Paulo, Wellington já era outra pessoa. Voltamos para casa e agora seria a prova de tudo.
Foi incrível! Todos perceberam a diferença, o irmão, o pai, os amigos, e principalmente ele mesmo. Wellington agora estava mais centrado, agora existe um ser dentro de seu corpo, antes era como se fosse um corpo vazio sem sentimentos, sem ações, um robô que nós conduzíamos como quiséssemos. Já voltamos para outras aplicações do tratamento outras vezes e ainda teremos que voltar mais algumas, os ajustes são feitos aos poucos, afinal foi uma vida inteira.
Hoje ele:
- Olha nos olhos;
- Conversa sobre tudo;
- Anda sozinho na rua;
- Tem amigos;
- Sente cheiros e sabores, antes do tratamento nem gostava de comer;
- Voltou a estudar e cursa Técnico em Informática -3º período, além de ter feito curso de teatro, dança e inglês;
- Faz provas para concursos, já passou em um e está esperando ser chamado para trabalhar em outra cidade a 220 km da nossa casa;
- Quer morar sozinho;
- Tem opinião sobre o que quer fazer;
- Não é mais manipulável;
Hoje ele leva uma vida normal e vai ficar muito melhor, só que para que isso acontecesse foi preciso também muita dedicação de sua parte. Wellington foi e é uma pessoa disciplinada, faz todos os exercícios que o Dr. Paulo recomenda. Na primeira fase do tratamento os exercícios eram feitos de meia em meia hora, eram cansativos, mas foram de extrema importância para o tratamento dar certo, e estes exercícios são feitos até hoje, é como uma ginástica, tem que ser com disciplina e todos os dias.
A sua persistência em ficar bom, vendo os resultados, isso o deixou ainda com mais força para cumprir todas as tarefas dadas e também as que ainda virão, sabemos que ele tem um grande futuro pela frente. Acreditamos que o futuro é este - a tecnologia a nos trazer muitos benefícios de curas e melhoria de vida - só precisamos estar abertos a recebê-las.
Vila Velha, ES – 10 de Março de 2008.
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Rosane Rodrigues Neves (Mãe de Wellington Pereira Vieira Júnior).
